ConceitoIlustrativo
Blockchain e ativos digitais
Os tokens mudam a forma como a propriedade é registada e transferida. Não eliminam as perguntas a que todo o ativo financeiro tem de responder: quem deve o quê a quem, quem o detém e o que acontece quando todos querem o seu dinheiro de volta.
O ciclo de vida da tokenização
Selecione uma etapa para ver o que acontece, quem está envolvido e a pergunta a fazer antes de confiar.
01 Definir ativo e direitos
- O que acontece
- O ativo subjacente e os direitos legais exatos do detentor ficam escritos: direito a fluxos de caixa, quota de propriedade ou direito de reembolso.
- Quem está envolvido
- Emitente, assessoria jurídica
- Risco principal
- O token pode prometer mais do que os documentos legais garantem.
- Pergunta a fazer
- Que documento define os meus direitos e segundo que lei?
02 Emissão
- O que acontece
- Os tokens são criados num registo numa quantidade que deve corresponder ao ativo ou à reserva que os sustenta.
- Quem está envolvido
- Emitente, programadores de contratos inteligentes
- Risco principal
- Erros de código ou uma emissão sem controlo podem criar tokens sem qualquer garantia.
- Pergunta a fazer
- Quem pode criar novos tokens e como é a oferta conferida com o ativo?
03 Registar a propriedade
- O que acontece
- O registo indica que endereço detém que tokens. Esse registo pode ser, ou não, o registo legal de propriedade.
- Quem está envolvido
- Operadores ou validadores do registo, entidade registadora
- Risco principal
- O registo na cadeia e o registo legal podem não coincidir.
- Pergunta a fazer
- Se o registo na cadeia e a entidade registadora divergirem, qual prevalece?
04 Custódia e transferência
- O que acontece
- Os detentores guardam os tokens eles próprios ou através de um custodiante e transferem-nos, por vezes com restrições sobre quem os pode receber.
- Quem está envolvido
- Custodiantes, carteiras, plataformas de negociação, detentores
- Risco principal
- Chaves perdidas, falência de um custodiante ou uma transferência enviada por engano podem ser irreversíveis.
- Pergunta a fazer
- Quem controla as chaves e o que acontece se forem perdidas?
05 Reembolso ou retirada
- O que acontece
- O token é trocado pelo ativo ou por liquidez, ou retirado no vencimento do ativo, e sai de circulação.
- Quem está envolvido
- Emitente, custodiante da reserva, detentores
- Risco principal
- Em situações de tensão, o reembolso pode ser lento, limitado ou suspenso.
- Pergunta a fazer
- Com que rapidez posso ser reembolsado, a que custo e pode o reembolso ser suspenso?
DeFi e CeFi: onde está a contraparte
Ambas oferecem negociação, empréstimo e custódia. A diferença está em quem é a sua garantia quando algo corre mal.
| Pergunta | Finanças descentralizadas (DeFi) | Finanças centralizadas (CeFi) |
|---|---|---|
| Quem detém os ativos? | Contratos inteligentes, ou utilizadores que guardam as próprias chaves | Uma empresa que detém os ativos por conta dos clientes |
| Quem define as regras? | O código, e quem o puder atualizar ou governar | Os termos de serviço da empresa e os seus reguladores |
| Principal risco de contraparte | Falhas nos contratos, captura da governação, erros dos oráculos | Insolvência, má gestão ou uso indevido dos ativos dos clientes |
| Liquidez sob tensão | Depende da profundidade dos pools; os preços podem mexer bruscamente | Depende das reservas da empresa; os levantamentos podem ser suspensos |
| Recurso se algo correr mal | Muitas vezes limitado e pouco claro | Através da empresa e, quando aplicável, do seu regulador |
Na prática, muitos serviços combinam os dois modelos, e algumas atividades ditas descentralizadas têm operadores identificáveis. Os organismos internacionais de normalização recomendam regular pela função e pelo risco, e não pelo rótulo.
As stablecoins e a promessa de reembolso
Uma stablecoin procura manter um valor estável face a uma moeda, normalmente o dólar norte-americano. Nos modelos garantidos por reservas, essa promessa vale tanto quanto os ativos detidos em contrapartida e o direito do detentor a ser reembolsado.
Três perguntas fazem quase todo o trabalho: de que é composta a reserva, com que rapidez pode ser convertida em liquidez e se os detentores têm um direito legal claro a ser reembolsados ao par.
Modelo de cobertura de reembolsos
Um emitente ilustrativo com 1000 milhões de tokens em circulação. Ajuste a reserva e uma vaga de reembolsos para ver se os pedidos do dia podem ser satisfeitos com ativos líquidos.
IlustrativoTokens em circulação: 1000 milhões
Riscos a compreender, em linguagem clara
- Risco de contraparte
- Outra entidade tem de cumprir: um emitente, um custodiante, uma plataforma ou um contrato inteligente. Se falhar, o token pode não valer o que afirma.
- Risco de liquidez
- Um ativo pode ser sólido mas lento a vender. Sob tensão, lento pode significar reembolsos suspensos ou vendas forçadas com desconto.
- Risco operacional
- As chaves perdem-se, o código tem falhas, os oráculos transmitem preços errados e os sistemas vão abaixo. Os registos tornam alguns erros permanentes.
- Incerteza jurídica e regulamentar
- As regras variam entre jurisdições e continuam a mudar. O mesmo token pode ser tratado de forma diferente em lugares diferentes.
Explicação apenas para fins educativos. Nada nesta página avalia, recomenda ou aprova qualquer token, plataforma ou emitente, e não constitui aconselhamento jurídico.